Otimização para IA: como convencer o robô a citar seu site?

Otimização para IA: como convencer o robô a citar seu site?

20 de janeiro de 2026
Última atualização: 20 de janeiro de 2026
6min
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Márcia Miranda

Em mais um resumo de tendências e expectativas dos relatórios focados em cenários para 2026, chegamos ao Marketing Trends 2026, da Kantar. O documento destaca o papel central da inteligência artificial (IA) na transformação do consumo. A ascensão de agentes autônomos exigirá que marcas adaptem seu conteúdo para influenciar tanto humanos quanto algoritmos de compra. Estamos falando de otimização para IA. Então, chegamos à pergunta: como convencer o robô a citar seu site?

Para gestores de empresas de comunicação acostumados a brigar por cada clique na busca orgânica, o relatório Marketing Trends 2026 da Kantar traz um alerta que não pode ser ignorado: as regras de descoberta de conteúdo estão sendo reescritas. Não estamos mais falando apenas de convencer humanos a clicar em manchetes, mas de convencer robôs a citarem o seu veículo.

O cenário para 2026 aponta para uma mudança considerável: da economia da atenção para a economia da intenção, mediada por agentes de Inteligência Artificial. Para jornais, revistas e portais de notícias, entender essa transição é fundamental para manter a relevância e a sustentabilidade do negócio.

GEO é o novo SEO: O seu conteúdo é “legível” para máquinas?

Talvez o ponto de maior impacto para o dia a dia editorial seja o surgimento do Generative Engine Optimisation (GEO). Se nos últimos 15 anos as redações foram treinadas para agradar o algoritmo do Google Search, o desafio agora é ser citado e validado pelos Grandes Modelos de Linguagem (Large Language Models, ou LLMs).

O relatório aponta que 24% dos usuários de IA já utilizam assistentes para compras e recomendações, e esse número tende a crescer exponencialmente. O perigo para os publishers é claro:

INSIGHT 1: Se o modelo de IA não conhece a sua marca ou não entende a autoridade do seu conteúdo, ele não o escolherá como fonte de resposta.

Para editores, isso exige conhecimentos sobre otimização para IA e uma mudança na estrutura do texto. O conteúdo precisa ser claro, estruturado e, acima de tudo, legível por máquinas. Não basta mais ter a palavra-chave no título; é necessário que o conteúdo responda de forma direta e autoritativa às dúvidas que alimentam os agentes de IA. Quem não for a “recomendação padrão” corre o risco de ser otimizado para fora da existência digital.

O declínio do alcance social e a ascensão das microcomunidades

A estratégia de “jogar link” nas redes sociais para atrair tráfego de massa está se tornando cada vez menos eficiente. O relatório confirma que o alcance orgânico de páginas de marcas (e veículos de mídia) continua a cair, enquanto os feeds algorítmicos priorizam conteúdo genérico ou focado em vendas.

Como já citado nas matérias que publicamos aqui, sobre tendências para 2026, a oportunidade está nas microcomunidades. O público está migrando de espaços superlotados e impessoais para ambientes onde sentem que pertencem e podem dialogar. Para gestores de mídia, isso sinaliza a importância de investir em:

• Newsletters de nicho;

• Grupos fechados (WhatsApp/Telegram);

• Comunidades verticais temáticas.

INSIGHT 2: A autenticidade nessas comunidades gera mais engajamento do que o alcance amplo.

Na China, marcas que apostaram em plataformas de microcomunidades focadas em compartilhamento de conhecimento obtiveram um ROI de marketing 25% maior, segundo o documento da Kantar.

Veja aqui mais matérias sobre tendências para 2026:

Tendências de mídia no relatório Dentsu Creative 2026: ‘slow content’ e a curadoria humana

Tendências na Europa: os destaques de Lulu Skantze sobre o Trend Union Webinar

A necessidade de “Inovação Guiada pela Marca”

Muitas empresas de mídia hesitam em arriscar novos formatos ou produtos por medo de perder a audiência atual. No entanto, o relatório é taxativo: jogar seguro é um risco maior do que inovar. Nos últimos 20 anos, marcas que investiram na disrupção suas próprias categorias geraram trilhões em valor incremental.

Para 2026, a inovação não deve ser apenas tecnológica (usar IA por usar), mas guiada pela marca. Para um veículo jornalístico, isso significa que a tecnologia deve servir para amplificar o propósito editorial e o jornalismo de qualidade, e não apenas para cortar custos.

INSIGHT 3: O “curto-prazismo” não será suficiente; as marcas que tornarem a experimentação o seu padrão moldarão o futuro.

Co-criação: O jornalista não é o único dono da narrativa

Há uma pressão crescente para demonstrar o impacto do conteúdo, e 61% dos profissionais de marketing planejam aumentar o investimento em criadores de conteúdo em 2026.

INSIGHT 4: Para a mídia tradicional, os creators não devem ser vistos apenas como concorrentes, mas como vetores de distribuição e engajamento.

O erro comum é tentar controlar excessivamente a narrativa. O relatório sugere que, na otimização para IA, o segredo é “ceder o controle” e co-criar. Para editorias de estilo de vida, cultura ou tecnologia, estabelecer parcerias onde a credibilidade do veículo se une à linguagem autêntica do criador pode ser a chave para furar a bolha e atingir novas audiências. E convencer o robô a citar seu site.

O futuro da audiência em 2026 não será sobre quem grita mais alto nas redes sociais, mas sobre quem consegue ser a fonte de confiança para os agentes de IA e o ponto de encontro para comunidades reais.

Os gestores precisam preparar suas redações hoje para a otimização para IA, garantindo que seu jornalismo seja a base de dados na qual o futuro será construído.

Como alerta a Kantar: se você não é a recomendação padrão, você corre o risco de se perder em um “mar de mesmice”.

Você pode ver e baixar o relatório Marketing Trends 2026, da Kantar, clicando aqui.

Márcia Miranda
Administrator
Acredita que boas ideias precisam ser compartilhadas. Formada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal Fluminense (RJ), iniciou carreira em redação em 1988 e por 24 anos (até 2012) trabalhou em veículos como Jornal O Globo e Agência O Globo, Editora Abril, Jornal O Fluminense, Jornal Metro. Em 2012 iniciou o trabalho como relações públicas e assessora de comunicação, atuando para clientes em áreas variadas, como grandes eventos (TED-x Rio, Réveillon em Copacabana, Jornada Mundial da Juventude, Festival MIMO), showbiz, orquestras, entretenimento e assessorias institucionais como o Instituto Innovare. É empreendedora e, em dezembro de 2021, criou a Simbiose Conteúdo, uma empresa que presta serviços e consultoria em comunicação para associações como Aner, Abral e Abap e divisões internas da TV Globo.