Desinformação: Por que a verdade custa caro e a mentira lucra?

Em um cenário onde a mentira e a desinformação se tornaram um modelo de negócio rentável, o papel do jornalismo profissional nunca foi tão necessário. Este foi o tom da entrevista concedida por Regina Bucco, diretora executiva da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), ao programa Conversa de Bastidores, apresentado por Fabrício Correia na Jovem Pan São José dos Campos.
Durante o bate-papo, a executiva traçou um panorama incisivo sobre os desafios atuais do mercado editorial, a concorrência desleal com influenciadores digitais e a relação complexa com as plataformas de tecnologia.
Confira abaixo os principais insights desta conversa que interessa diretamente a editores, jornalistas e publicadores.
O alto custo da verdade x o lucro da mentira
Um dos pontos centrais abordados por Regina Bucco é a disparidade econômica entre produzir jornalismo sério e disseminar fake news. Segundo a diretora, “falar a verdade é caro”, pois exige checagem, apuração e profissionais qualificados, enquanto a mentira é barata e se espalha rapidamente.
Ela alerta que, em anos eleitorais, o combate à desinformação é uma prioridade da ANER, citando a colaboração com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a ministra Cármen Lúcia para a criação de cartilhas educativas. Para Bucco, a mentira tornou-se, infelizmente, “o negócio mais lucrativo do país”.

Inteligência Artificial e a responsabilidade das Big Techs
A entrevista toca em um ponto sensível para as redações: o uso indiscriminado de Inteligência Artificial (IA). Bucco critica portais que utilizam IA para produzir textos sem assinatura ou supervisão humana adequada, distanciando o jornalista da notícia.
Além disso, a diretora da Aner reforça a necessidade de regulação e remuneração do conteúdo jornalístico pelas Big Techs. Ela destaca que existe um “jogo desigual”, onde plataformas bilionárias lucram com o conteúdo produzido pelas editoras sem a devida contrapartida ou curadoria. Regina é enfática ao diferenciar regulação de censura: trata-se de responsabilização, especialmente quando anúncios em redes sociais promovem golpes ou produtos ilegais, diferentemente da responsabilidade legal que já recai sobre revistas e jornais.
Influenciadores e a falta de lastro
A conversa também abordou a “farra” dos influenciadores digitais que atuam sem regras claras. Regina comparou a responsabilidade editorial das revistas com a atuação de influenciadores que promovem jogos de azar (como o “jogo do tigrinho”) para milhões de seguidores sem sofrerem as mesmas sanções que um veículo de imprensa sofreria.
Para a executiva, o jornalismo profissional oferece confiabilidade e lastro, algo que se perde na rotatividade frenética das redes sociais.
O futuro é híbrido: O “Efeito Vinil” do impresso
Para os editores preocupados com o fim do papel, Regina traz uma visão otimista e estratégica. Ela acredita que o impresso caminha para se tornar um produto premium e “cult”, comparando o movimento ao retorno dos discos de vinil e à revalorização das salas de cinema.
“O impresso continua sendo atemporal”, afirma Regina, citando que na Europa já existe um movimento forte de retorno às revistas físicas como forma de desintoxicação digital e imersão.
O papel da Aner: Inspiração e Defesa
Finalizando, Regina reforçou que a missão da Aner vai além da defesa institucional. A associação atua como um polo de inspiração e networking para os associados, através de iniciativas como o Café com Aner e comitês que discutem desde articulação política até novas fontes de receita, como eventos e licenciamento de marcas.
Veja a entrevista completa no YouTube da Jovem Pan São José dos Campos .


