Sua editora pode virar uma agência de experiências?

A Immediate Media, editora que é casa de marcas icônicas como Radio Times e Good Food, acaba de lançar a IX, uma agência de experiências dedicada à organização de eventos. O movimento merece atenção pelo formato de reconfiguração do papel de uma editora e pela oportunidades de negócios que propicia.
A Immediate Media já possui um alcance impressionante, tocando a vida de 21 milhões de pessoas mensalmente no Reino Unido — mais de um terço da população adulta do país. O lançamento da IX inova ao transformar essa audiência em um ativo para eventos ao vivo de terceiros. A proposta da IX é ajudar marcas de consumo a criar “momentos ao vivo” — como eventos, pop-ups e ativações — utilizando a expertise e o alcance das 24 marcas da editora.
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Segundo Rob Hunt, diretor de parcerias criativas da Immediate, a receita gerada por essa nova vertical é “100% incremental” ao que a empresa já realiza. O grande diferencial é a flexibilidade do modelo. A IX permite que marcas realizem eventos que não precisam necessariamente carregar o logotipo da revista, mas que utilizam a “máquina” da editora para acontecer.
Por exemplo: Se uma marca de bebidas tropicais quiser montar um bar temático em Londres, a Immediate pode usar a audiência da marca Good Food para lotar o evento, garantindo o público certo, mesmo que o evento em si não se chame “Bar da Good Food”. Isso resolve uma dor do mercado publicitário: marcas querem fazer experiências reais (“experiential marketing”), mas muitas vezes não têm a comunidade engajada para garantir o sucesso do evento. As editoras têm essa comunidade.
Entre os formatos que a IX vai criar para marcas estão eventos que possam ser apoiados pelos jornalistas setoristas da Immediate; eventos comunitários, que reúnam públicos com interesses em comum; eventos imersivos, em espaços especiais e road shows que percorram o país.
Veja algumas das experiências já realizadas no site da IX.
Oportunidades para o Mercado Brasileiro
A iniciativa da Immediate sugere três caminhos para monetização que vão além do anúncio impresso ou do banner digital:
1. Exploração de Nichos Específicos: A Immediate cita o exemplo de suas revistas de LEGO. A IX poderia criar um “ônibus da diversão LEGO” em festivais de música, direcionando a receita de volta para a publicação. Editoras brasileiras de nicho (games, pets, infantil) podem replicar isso, atuando como operadoras logísticas e de marketing para seus anunciantes.
2. Turismo e Experiências Temáticas: Com dados apontando que o público acima de 55 anos está liderando um aumento nos gastos com viagens em 2026, a Immediate está negociando cruzeiros temáticos (ex: Cruzeiro Radio Times ou Cruzeiro Gardeners’ World). No Brasil, o potencial para ecoturismo, turismo gastronômico e viagens culturais curadas por marcas editoriais é vasto e pouco explorado.
3. Uso de Dados Proprietários: A IX promete usar dados proprietários e insights de consumidores para identificar segmentos de audiência específicos. Em um mundo pós-cookies, editoras que usam seus dados (“First-party data”) para garantir público em eventos físicos tornam-se parceiros de valor inestimável para anunciantes.
Segundo Rob Hunt, as redações e diretorias comerciais devem pensar em suas marcas como referências importantes no mercado:
“Somos tão bons em parcerias de marca que não precisamos ter nossas marcas envolvidas. Poderíamos apenas ser seus especialistas em comida, ou entretenimento, ou jardinagem”, afirma.
Para os empresários brasileiros, é importante destacar que uma editora não vende apenas conteúdo; ela vende acesso, curadoria e capacidade de mobilização. Transformar isso em uma agência interna de experiências, como fez a Immediate com a IX, pode ser o caminho para desbloquear receitas inéditas e blindar o negócio contra as oscilações do mercado publicitário tradicional.
Veja mais sobre o lançamento da agência de experiências IX clicando aqui.


