O que o Relatório Reuters 2026 prevê sobre o futuro do jornalismo?

O que o Relatório Reuters 2026 prevê sobre o futuro do jornalismo?

23 de junho de 2026
Última atualização: 23 de junho de 2026
5min
Relatório Reuters Digital Report 2026 abertura do resumo temático
Márcia Miranda

A 15ª edição do tão aguardado Digital News Report, do Reuters Institute, acaba de sair do forno, e a mensagem central é clara: estamos em um momento de profunda precariedade global e intensa volatilidade na indústria da comunicação. Se nos anos anteriores o mercado experimentou uma certa estabilidade após os picos da pandemia, os dados de 2026 mostram que o público está reagindo com um misto de ansiedade e desengajamento. Para ajudar a sua redação a navegar por essas águas turbulentas, a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) preparou uma série especial de cinco matérias que serão publicadas ao longo das próximas semanas. Nós mergulhamos nas centenas de páginas do relatório e separamos os temas mais urgentes para o nosso mercado.

Para os publishers, executivos de mídia e jornalistas que acompanham o site da Aner, o documento mostra que a forma como as pessoas descobrem, consomem e confiam na informação mudou radicalmente. A boa notícia? Onde há disrupção, há também oportunidades de reconexão. O público continua valorizando o que o jornalismo tem de melhor a oferecer, mas está buscando isso em novos formatos.

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Confira um “spoiler” do que vamos aprofundar nessa nossa nova série especial:

1. O fim do “Destino Direto” e a ansiedade do “Google Zero”

A era em que a homepage do seu site era a porta de entrada da internet acabou. O relatório de 2026 mostra que pela primeira vez, as redes sociais e as plataformas de vídeo (usadas por 54% das pessoas) ultrapassaram os sites e aplicativos próprios das marcas de notícias (51%) como a principal via de acesso à informação globalmente. Na nossa primeira matéria da série, vamos analisar essa “plataformização” acelerada e discutir estratégias para lidar com a queda brutal de tráfego de busca e construir uma relação direta com os leitores fiéis.

2. A batalha pelo vídeo: onde está a audiência?

As pessoas preferem, cada vez mais, assistir às notícias em vez de lê-las. Mas será que o player de vídeo do seu site está entregando o que o público quer? Vamos explorar como a migração massiva para redes como YouTube, TikTok e Instagram está redesenhando os formatos e a estética do jornalismo. Discutiremos como os publishers podem se adaptar a essa demanda audiovisual, que agora invade até mesmo as Smart TVs das salas de estar.

3. A economia da influência e os “News Creators”

Você sabia que 27% dos entrevistados em todo o mundo afirmam consumir notícias por meio de criadores de conteúdo individuais? A concorrência pela atenção não vem mais apenas das marcas rivais, mas de influenciadores que o público considera mais divertidos e fáceis de entender. Na terceira reportagem da série, vamos mostrar por que esses criadores são vistos como complementares (e não substitutos) à mídia tradicional e como redações podem aprender com a autenticidade deles para atrair as novas gerações.

4. Inteligência artificial: entre o chatbot e o jornalista

O uso de IA generativa para o consumo direto de notícias saltou de 7% para 10% no último ano, puxado por um público jovem e altamente engajado. Os usuários de chatbots como o ChatGPT adoram a possibilidade de fazer perguntas de acompanhamento sobre as notícias (42% de preferência). Na penúltima matéria, abordaremos como a IA deixou de ser apenas uma ferramenta de back-office e passou a disputar a interface com o leitor, trazendo desafios de tráfego e novas possibilidades de produtos interativos para os editores.

5. O paradoxo da confiança e o valor da imparcialidade

Para fechar a série, tocaremos na ferida mais dolorosa do mercado: a confiança nas notícias caiu para 37%, o nível mais baixo desde que o índice começou a ser medido em 2015. Curiosamente, enquanto a confiança geral derrete e a preocupação com fake news chega a 62% do público, há uma imensa oportunidade de negócios escondida aqui: 45% das pessoas ainda preferem notícias que não tomam partido. Nossa reportagem final debaterá como transformar a sua marca em um porto seguro no meio do caos polarizado das redes.

Fique de olho! A primeira reportagem da série, focada na nova geopolítica da distribuição e no fenômeno das redes superando os sites próprios, vai ao ar na próxima semana. Até lá!

Para ver a íntegra do Relatório clique aqui e acesse a página do Reuters Institute.

Márcia Miranda
Administrator
Acredita que boas ideias precisam ser compartilhadas. Formada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal Fluminense (RJ), iniciou carreira em redação em 1988 e por 24 anos (até 2012) trabalhou em veículos como Jornal O Globo e Agência O Globo, Editora Abril, Jornal O Fluminense, Jornal Metro. Em 2012 iniciou o trabalho como relações públicas e assessora de comunicação, atuando para clientes em áreas variadas, como grandes eventos (TED-x Rio, Réveillon em Copacabana, Jornada Mundial da Juventude, Festival MIMO), showbiz, orquestras, entretenimento e assessorias institucionais como o Instituto Innovare. É empreendedora e, em dezembro de 2021, criou a Simbiose Conteúdo, uma empresa que presta serviços e consultoria em comunicação para associações como Aner, Abral e divisões internas da TV Globo.