Como as redações podem incorporar IA no jornalismo de maneira responsável e produtiva?

Como as redações podem incorporar IA no jornalismo de maneira responsável e produtiva?

30 de abril de 2026
Última atualização: 5 de maio de 2026
4min
Ruth Reis professora UFES Café com Aner sobre IA e Comunicação abril 2026
Márcia Miranda

A IA não vai substituir a essência no bom jornalismo, mas o profissional que fechar os olhos para a tecnologia pode acabar ficando para trás. Em um cenário onde as ferramentas generativas estão reescrevendo as regras da produção de conteúdo, a última edição de abril de Café com Aner trouxe um debate essencial: como nós, editores, publishers e jornalistas, devemos nos posicionar para inserir a IA no jornalismo?

A convidada do encontro, a jornalista e professora Ruth Reis, titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), conduziu uma verdadeira masterclass sobre a interseção entre tecnologia, ética e os fazeres do mercado editorial. E o alerta é claro: o Brasil já é o terceiro maior usuário de IA no contexto global, e a nossa área está na linha de frente dessa transformação.

O Café com Aner é um encontro online semanal, realizado pela Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), focado em publishers, editores e profissionais de mídia. Com mais de 130 edições, o evento gratuito discute ferramentas de tecnologia, monetização, questões jurídicas e tendências do jornalismo, geralmente às terças-feiras, às 15h, conduzido por Regina Bucco.

Para ajudar a sua redação a navegar nesse novo mar digital, separamos os principais insights e as melhores práticas discutidas no encontro. Confira!

Experiência e autoridade: o fim da “economia do clique”?

Uma das mudanças mais drásticas para os publishers é a forma como a IA está alterando a distribuição de conteúdo. Com a chegada de recursos como o AI Overviews do Google, que entrega respostas prontas no topo das buscas, a tradicional “economia do clique” sofreu um abalo significativo.

Isso exige das redações uma adaptação estratégica urgente. Para que o conteúdo jornalístico continue sendo ranqueado e lido pelas próprias IAs que alimentam os buscadores, ele precisa focar naquilo que a máquina não tem: experiência e autoridade. Textos com uma estrutura lógica clara, aprofundamento real e embasamento em evidências sólidas ganham vantagem competitiva nesse novo ecossistema.

Veja aqui a apresentação completa feita pela professora no Café com Aner.

A armadilha da “fake news da verdade”

A praticidade de pedir para um chatbot escrever um texto ou organizar dados em minutos é inegável. No entanto, na mediação do encontro, Regina Bucco levantou um ponto crítico: estamos transferindo um poder excessivo para as máquinas sem a devida checagem.

A IA generativa não é infalível; ela alucina e pode gerar informações falsas com enorme convicção. Por trás de respostas aparentemente perfeitas, existem vieses culturais, de gênero e algoritmos treinados predominantemente com dados do Norte Global. A checagem de fatos, que sempre foi o coração do jornalismo, torna-se agora uma habilidade de sobrevivência, não só para a redação, mas para a sociedade como um todo.

Guia de melhores práticas para redações

Como, então, as redações devem incorporar a IA no jornalismo de maneira responsável e produtiva? A professora Ruth Reis listou princípios fundamentais para o uso ético nas publicações:

  • Supervisão humana inegociável: Nunca deixe a decisão final nas mãos da máquina. A IA alucina e precisa do julgamento crítico de um editor ou repórter sênior.
  • Transparência com o leitor: Se uma ferramenta de IA foi utilizada na geração de um texto, imagem ou áudio, isso deve ser declarado. A transparência é um dever das publicações.
  • Responsabilidade autoral humana: O ChatGPT não responde por processos judiciais, nem tem compromisso ético. A responsabilidade por qualquer conteúdo publicado é inteiramente do jornalista e do veículo.
  • Letramento contínuo: As redações precisam treinar suas equipes não apenas para escrever prompts, mas para desenvolverem um uso crítico das ferramentas, compreendendo como elas funcionam e quais são seus limites.

Quer continuar esse debate? A professora Rute Reis estará ao lado de grandes nomes do mercado no próximo Aner Summit 2026 – Oportunidades e Desafios da IA para aprofundarmos ainda mais as soluções para o futuro da nossa indústria.

As inscrições são gratuitas e você ainda pode optar por receber um certificado de participação!

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Márcia Miranda
Administrator
Acredita que boas ideias precisam ser compartilhadas. Formada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal Fluminense (RJ), iniciou carreira em redação em 1988 e por 24 anos (até 2012) trabalhou em veículos como Jornal O Globo e Agência O Globo, Editora Abril, Jornal O Fluminense, Jornal Metro. Em 2012 iniciou o trabalho como relações públicas e assessora de comunicação, atuando para clientes em áreas variadas, como grandes eventos (TED-x Rio, Réveillon em Copacabana, Jornada Mundial da Juventude, Festival MIMO), showbiz, orquestras, entretenimento e assessorias institucionais como o Instituto Innovare. É empreendedora e, em dezembro de 2021, criou a Simbiose Conteúdo, uma empresa que presta serviços e consultoria em comunicação para associações como Aner, Abral e divisões internas da TV Globo.