Como monetizar notícias no ecossistema digital?

Como monetizar notícias no ecossistema digital?

27 de março de 2026
Última atualização: 27 de março de 2026
4min
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Márcia Miranda

“O jornalismo não é apenas uma missão, é um negócio”. A frase é de Adal Viviani, convidado do Café com Aner da terça-feira 21 de março, com o tema “Como monetizar notícias: Estratégias de negócio para publishers “Quem paga para ler notícia”. Com mais de 30 anos de experiência como jornalista e consultor estratégico, Viviane alertou para o que chama de “notícia centrismo” — a tendência de publishers focarem excessivamente na produção de conteúdo, negligenciando a gestão estratégica e a monetização necessária para sustentar a operação. Veja aqui as principais dicas deste valiosíssimo especialista.

O Café com Aner é um encontro online semanal, realizado pela Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), focado em publishers, editores e profissionais de mídia. Com mais de 130 edições, o evento gratuito discute ferramentas de tecnologia, monetização, questões jurídicas e tendências do jornalismo, geralmente às terças-feiras, às 15h, conduzido por Regina Bucco.

A batalha pela atenção no mesmo dispositivo

O cenário atual coloca a notícia em uma disputa acirrada e inglória. No celular do leitor, o conteúdo divide espaço com o aplicativo do banco, redes sociais e ferramentas de compras. O consultor explica que, se o leitor já tem o dinheiro e o meio de transação na palma da mão, o desafio para o publisher é criar modelos de monetização simplificados e atraentes.

“Você tem a notícia no mesmo equipamento onde você tem o dinheiro, no mesmo equipamento onde você tem a possibilidade de efetuar transações de compra de produtos e serviços. Não é possível que a gente não consiga, com os projetos que nós temos, criar modelos de monetização” que hoje estão simplificados”, afirma.

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Para Viviane, o digital hoje se assemelha mais à lógica da televisão do que à dos jornais impressos tradicionais. A TV sempre profissionalizou a gestão de audiência em tempo real, entendendo que a marca ganha força quando se torna indispensável para o público.

“A notícia era um produto à venda e ela continua sendo um produto à venda. A separação de igreja e estado que nós vivemos nas gerações até o ano 2010, 2015 acabou. Hoje você tem formatos com equipes próprias para fazer produção de conteúdo. Não é mais um dilema do negócio você ter produção de conteúdo e, também, projeto editorial”, explica.

Estratégias de conteúdo em camadas

Um dos grandes insights compartilhados foi a necessidade de produzir conteúdo pensando em diferentes perfis de consumo. Segundo Viviani, como o público não é homogêneo, as revistas devem estar preparadas para atender a três níveis de profundidade:

  • Camada Instantânea: Para quem busca informação rápida e mastigada em plataformas ágeis.
  • Camada Intermediária: O “lead mais dois parágrafos”, oferecendo um contexto rápido sem exigir 10 minutos de leitura.
  • Camada de Profundidade: Onde reside o core editorial, focado em análise e autoridade para os leitores mais fiéis.

O fim da separação entre “Igreja e Estado”

A antiga barreira entre o editorial e o comercial precisa ser revisitada com responsabilidade. Hoje, projetos especiais e parcerias com marcas são responsáveis por grandes fatias do faturamento de gigantes do setor. Monetizar as redes sociais e transformar jornalistas em influenciadores de nicho são caminhos viáveis para humanizar a marca e gerar novos fluxos de receita, especialmente em mercados onde o engagement orgânico está em queda.

Takeaways: dicas práticas para publishers

  • Gestão de Churn e Paywall: Não feche tudo nem abra tudo. O paywall deve ser uma ferramenta de administração estratégica, variando conforme o valor exclusivo de cada colunista ou matéria.
  • Cross-media e Redes Sociais: Pare de enxergar as redes sociais apenas como concorrentes. Elas são parte do seu sistema de informação e devem ter seus próprios formatos de monetização e publieditoriais.
  • First-party Data e Marca: No fim da era dos cookies, o status e a credibilidade da sua marca são o que convencem o leitor a pagar. Invista na construção de uma marca proprietária forte para não depender exclusivamente de algoritmos como o Google Discover.
  • Cultura do “Erre Rápido”: O digital permite testar novas ideias de produtos digitais ou cursos com baixo custo. Teste, analise os resultados e ajuste a rota imediatamente.

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Márcia Miranda
Administrator
Acredita que boas ideias precisam ser compartilhadas. Formada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal Fluminense (RJ), iniciou carreira em redação em 1988 e por 24 anos (até 2012) trabalhou em veículos como Jornal O Globo e Agência O Globo, Editora Abril, Jornal O Fluminense, Jornal Metro. Em 2012 iniciou o trabalho como relações públicas e assessora de comunicação, atuando para clientes em áreas variadas, como grandes eventos (TED-x Rio, Réveillon em Copacabana, Jornada Mundial da Juventude, Festival MIMO), showbiz, orquestras, entretenimento e assessorias institucionais como o Instituto Innovare. É empreendedora e, em dezembro de 2021, criou a Simbiose Conteúdo, uma empresa que presta serviços e consultoria em comunicação para associações como Aner, Abral e Abap e divisões internas da TV Globo.