Relevância de tráfego: Como usar IA para criar propostas de monetização?

Relevância de tráfego: Como usar IA para criar propostas de monetização?

24 de março de 2026
Última atualização: 24 de março de 2026
5min
Manoel Fernandes, da Bites, fala no Café com Aner sobre como usar IA para moldar novas propostas de monetização
Márcia Miranda

Fascínio e pânico. Desde quando a inteligência artificial (IA) começou a chegar às redações, este é o sentimento que tem tomado conta dos jornalistas e publishers. Mas para o jornalista e diretor executivo da Bites, Manoel Fernandes, o cenário que se desenha exige menos desespero e mais faro jornalístico. Manoel foi o convidado do Café com Aner com o tema Relevância de Tráfego de IA e conversou com os participantes sobre o dilema do tráfego, reputação sintética e cruzamento de dados de buscas, geografia e redes sociais com IA para criar propostas de monetização.

Durante sua participação no “Café com Aner”, promovido pela Associação Nacional de Editores de Revistas e apresentado pela diretora executiva Regina Bucco, Manoel dissecou o impacto da IA no tráfego, na credibilidade e nas finanças dos veículos de comunicação. A queda de audiência nos portais tradicionais é um dos pontos de maior apreensão para os publishers. E as pesquisas que voltam sem links das fontes têm tirado o sono de muitos publishers.

“Algumas IAs mandam o link junto, mas algumas outras não mandam”, constatou, explicando que o fato de os links acompanharem os resumos não indica que eles serão clicados ou criarão, organicamente, público mais interessado. Manoel recomenda que os editores olhem para as próprias métricas para verificar se os dados apontam alguma variação no tempo médio do usuário no site.

Dados, métricas e a “Reputação Sintética”

O especialista também falou sobre como a IA não entende os dados que coleta. Segundo ele, os robôs não entendem fatos, mas probabilidades matemáticas.

“No caso de reputação, eu tenho uma síntese narrativa de natureza probabilística”, afirma. “A IA nada mais é que uma compressão estatística do ecossistema informacional, que tem a capacidade de eliminar a contradição, resolver a ambiguidade e preencher os espaços em abertos por abdução. Ela não dá respostas; ela fornece inferências. Por isso que a gente tem que ter esta grande atenção em relação ao que se constrói na percepção das marcas”, disse.

A esse fenômeno, o jornalista dá o nome de “reputação sintética”, algo que não é necessariamente verdadeiro nem falso, mas plausível. Para exemplificar, Manoel Fernandes usou um exemplo prático sobre uma pesquisa acerca da economia do Estado do Piauí. Por ser treinada com dados históricos que carregam estigmas, a máquina costuma reproduzir a imagem de um Piauí “congelado” no tempo, ignorando o forte desenvolvimento econômico recente do estado. Para minorar esse efeito, Manoel fala da importância da apuração jornalística e da grande necessidade de que eles escrevam sobre o que funciona e o que tem boa qualidade.

“Acho que a gente também tem um papel, a partir de agora, em relação a falar as coisas boas de cada lugar sem vergonha. Não é ser subserviente ao assunto, mas refletir e trazer coisas boas, positivas de cada lugar, porque isso vai ajudar a alimentar a IA”, diz, explicando porque é importante alimentar o sistema com informação verdadeira e atualizada, ancorada na realidade para “oxigenar” e treinar as bases de dados, corrigindo distorções.

A IA como suporte para pautas quentes e novas formas de monetização

De acordo com Manoel, a IA pode e deve ser utilizada nas redações, não como uma produtora de conteúdo jornalístico em massa, mas como um suporte para identificar padrões em montanhas de informações. A recomendação técnica para o fechamento de pautas quentes é cruzar dados: na dúvida, o repórter deve submeter a mesma pergunta a duas ou três IAs diferentes (como GPT, Gemini e Claude) e analisar os pontos de convergência e divergência.

“Nós, jornalistas, fomos muito bem treinados. Quem trabalha em revista tem um olhar mais mais apurado em relação à capacidade de fazer perguntas estruturadas. A maior parte das pessoas pode fazer uma pergunta de natureza binária: é isso ou é aquilo. O jornalista de revista consegue fazer perguntas ao banco de dados usando a IA como nosso interface de conversa, o que muda muito a forma como a gente encara o dado e como a gente constrói o nosso texto”, destaca.

Já na área comercial, Manoel diz que a IA abre portas promissoras.

“Usar IA para entender o que o cliente precisa e customizar essa resposta para ela ou para ele… eu acho que esse é o grande trunfo”, aposta. Ele exemplifica a afirmação com o trabalho desenvolvido na Bites para melhorar o processo de vendas de empresas. Segundo ele, utilizando essa metodologia, é possível mostrar a uma marca exatamente em qual região ou nicho editorial ela deve investir para obter o melhor retorno.

Perdeu o Café com Aner ou quer rever?

Márcia Miranda
Administrator
Acredita que boas ideias precisam ser compartilhadas. Formada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal Fluminense (RJ), iniciou carreira em redação em 1988 e por 24 anos (até 2012) trabalhou em veículos como Jornal O Globo e Agência O Globo, Editora Abril, Jornal O Fluminense, Jornal Metro. Em 2012 iniciou o trabalho como relações públicas e assessora de comunicação, atuando para clientes em áreas variadas, como grandes eventos (TED-x Rio, Réveillon em Copacabana, Jornada Mundial da Juventude, Festival MIMO), showbiz, orquestras, entretenimento e assessorias institucionais como o Instituto Innovare. É empreendedora e, em dezembro de 2021, criou a Simbiose Conteúdo, uma empresa que presta serviços e consultoria em comunicação para associações como Aner, Abral e Abap e divisões internas da TV Globo.