Aner Summit 2026: confiança é o novo superpoder dos publishers

A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma tendência de tecnologia para se tornar o centro das discussões sobre modelos de negócios na comunicação. No “Painel 1: Internet Pública vs LLMs Privadas”, durante o Aner Summit 2026, especialistas debateram o futuro da produção de conteúdo e os caminhos para o mercado editorial. O painel foi mediado por Sabrina Passos, com a participação de Paulo Henrique Ferreira (PH), da professora Ruth Reis e do consultor Guilherme Ravache. O debate deixou claro que a indústria precisa repensar sua relação com as plataformas, o valor do texto humano e as formas de regulação. Veja aqui alguns dos principais insights.
A transição midiática e o “superpoder” da informação
Para Paulo Henrique Ferreira (PH), diretor executivo da Barões Brand Publishing, o momento atual exige maturidade. Ele compara a chegada da IA às grandes transições midiáticas do passado, como a evolução do telégrafo para o rádio e o telefone. Segundo o especialista, o diferencial competitivo das empresas de mídia agora reside na capacidade de organizar e estruturar informações.
A internet pública (WWW) foi criada como um ambiente aberto, mas as grandes modelagens de linguagem (LLMs, do inglês Large Language Models) possuem donos e interesses corporativos. Nesse contexto, deter bases de dados confiáveis torna-se um diferencial estratégico.
Fique em dia com as notícias sobre o mercado editorial jornalístico! Clique e entre para a nossa Comunidade no WhatsApp Aner!
PH destaca essa responsabilidade com clareza:
“Informação confiável, estruturada, organizada, vai fazer diferença cada vez mais daqui pra frente. Por isso que eu sempre falo em todo evento […] Publishing é um super poder”.
Ele reforça que a mudança de mentalidade é urgente:
“Agora os publishers têm que se enxergar assim, gente. Você tem um hardware, uma plataforma, você indexa conteúdo, alimenta pessoas e alimenta algoritmos”.
O patrimônio coletivo e a urgência da regulação
A professora e pesquisadora da UFES, Ruth Reis, trouxe uma visão aprofundada sobre como o conhecimento humano está sendo apropriado pelas Big Techs. Ela lembra que o desenvolvimento da IA dependeu diretamente da extração massiva de dados da internet, um espaço historicamente construído de forma colaborativa.
Para a pesquisadora, há um desequilíbrio perigoso quando poucas empresas privadas dominam a visibilidade e a autoridade epistêmica — ou seja, o poder de decidir o que é verdade.
“A internet é meio isso. É um patrimônio coletivo que precisa ser assim tratado. Então, é um risco grande quando a gente vê essa coisa sendo apropriada e dominada por poucos”, alertou.
Ruth defende que o mercado editorial participe ativamente da construção de regras e de modelos de financiamento justos que remunerem quem efetivamente gera valor na rede.
“A gente precisa participar desse processo, participar desse debate… e construir um regramento”, afirmou a professora, sugerindo que o debate inclua políticas públicas voltadas para o setor.
A fuga da mediocridade e o foco na comunidade
Guilherme Ravache, analista de negócios e colunista, apresentou a perspectiva prática da operação diária. Ele alertou sobre o risco de veículos apostarem na IA para a redação final de seus materiais. Segundo o consultor, o uso desenfreado de algoritmos para escrever nivelará o jornalismo por baixo.
“A IA joga tudo pra média, ela é a média, ela não é o melhor. Eu não leio um veículo para ler a média. Eu quero ler um veículo porque ele faz acima da média”, disse Ravache.
Ele explica que sua equipe tem a diretriz rigorosa de não usar IA para redigir, restringindo a tecnologia a funções de pesquisa e apuração.
Ravache adverte que as métricas de audiência baseadas apenas em volume e distribuição programática estão com os dias contados. O verdadeiro valor está no conteúdo exclusivo e na construção de um relacionamento genuíno com o público.
“Não é a plataforma no final do dia, é a relação que você constrói com a comunidade”, explicou.
Por fim, ele chamou a atenção para a dura realidade do financiamento do setor editorial independente. Sem rodeios, Ravache pontuou:
“Sem regulação e sem apoio público ao jornalismo independente, é uma ilusão achar que fica de pé”, lamentou.
Para anotar: os insights do painel Internet Pública vs LLMs Privadas
O debate entre PH, Ruth Reis e Guilherme Ravache foi muito rico em observações. Selecionamos algumas dicas para que os veículos se posicionem de forma estratégica nas buscas e ganhem autoridade perante os novos motores de busca gerativos:
- Estruturação de dados: Organize seu acervo. Textos proprietários e bases de dados bem estruturadas são o ativo mais valioso para treinar ou negociar com as plataformas de IA.
- Produção original acima da média: Utilize a IA para otimizar processos internos de gestão e pesquisa, mas mantenha a criatividade e a redação final nas mãos de humanos especializados para fugir do “conteúdo mediano”.
- Engajamento comunitário: Foque em construir laços diretos com seus leitores. A lealdade à marca será o grande escudo protetor contra as flutuações dos algoritmos.


