Aner Summit 2026: confiança é o novo superpoder dos publishers

Aner Summit 2026: confiança é o novo superpoder dos publishers

8 de junho de 2026
Última atualização: 5 de junho de 2026
4min
Painel Internet pública x LLMs privadas novo superpoder dos publishers Aner Summit 2026
Márcia Miranda

A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma tendência de tecnologia para se tornar o centro das discussões sobre modelos de negócios na comunicação. No “Painel 1: Internet Pública vs LLMs Privadas”, durante o Aner Summit 2026, especialistas debateram o futuro da produção de conteúdo e os caminhos para o mercado editorial. O painel foi mediado por Sabrina Passos, com a participação de Paulo Henrique Ferreira (PH), da professora Ruth Reis e do consultor Guilherme Ravache. O debate deixou claro que a indústria precisa repensar sua relação com as plataformas, o valor do texto humano e as formas de regulação. Veja aqui alguns dos principais insights.

A transição midiática e o “superpoder” da informação

Para Paulo Henrique Ferreira (PH), diretor executivo da Barões Brand Publishing, o momento atual exige maturidade. Ele compara a chegada da IA às grandes transições midiáticas do passado, como a evolução do telégrafo para o rádio e o telefone. Segundo o especialista, o diferencial competitivo das empresas de mídia agora reside na capacidade de organizar e estruturar informações.

A internet pública (WWW) foi criada como um ambiente aberto, mas as grandes modelagens de linguagem (LLMs, do inglês Large Language Models) possuem donos e interesses corporativos. Nesse contexto, deter bases de dados confiáveis torna-se um diferencial estratégico.

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PH destaca essa responsabilidade com clareza:

“Informação confiável, estruturada, organizada, vai fazer diferença cada vez mais daqui pra frente. Por isso que eu sempre falo em todo evento […] Publishing é um super poder”.

Ele reforça que a mudança de mentalidade é urgente:

“Agora os publishers têm que se enxergar assim, gente. Você tem um hardware, uma plataforma, você indexa conteúdo, alimenta pessoas e alimenta algoritmos”.

O patrimônio coletivo e a urgência da regulação

A professora e pesquisadora da UFES, Ruth Reis, trouxe uma visão aprofundada sobre como o conhecimento humano está sendo apropriado pelas Big Techs. Ela lembra que o desenvolvimento da IA dependeu diretamente da extração massiva de dados da internet, um espaço historicamente construído de forma colaborativa.

Para a pesquisadora, há um desequilíbrio perigoso quando poucas empresas privadas dominam a visibilidade e a autoridade epistêmica — ou seja, o poder de decidir o que é verdade.

“A internet é meio isso. É um patrimônio coletivo que precisa ser assim tratado. Então, é um risco grande quando a gente vê essa coisa sendo apropriada e dominada por poucos”, alertou.

Ruth defende que o mercado editorial participe ativamente da construção de regras e de modelos de financiamento justos que remunerem quem efetivamente gera valor na rede.

“A gente precisa participar desse processo, participar desse debate… e construir um regramento”, afirmou a professora, sugerindo que o debate inclua políticas públicas voltadas para o setor.

A fuga da mediocridade e o foco na comunidade

Guilherme Ravache, analista de negócios e colunista, apresentou a perspectiva prática da operação diária. Ele alertou sobre o risco de veículos apostarem na IA para a redação final de seus materiais. Segundo o consultor, o uso desenfreado de algoritmos para escrever nivelará o jornalismo por baixo.

“A IA joga tudo pra média, ela é a média, ela não é o melhor. Eu não leio um veículo para ler a média. Eu quero ler um veículo porque ele faz acima da média”, disse Ravache.

Ele explica que sua equipe tem a diretriz rigorosa de não usar IA para redigir, restringindo a tecnologia a funções de pesquisa e apuração.

Ravache adverte que as métricas de audiência baseadas apenas em volume e distribuição programática estão com os dias contados. O verdadeiro valor está no conteúdo exclusivo e na construção de um relacionamento genuíno com o público.

“Não é a plataforma no final do dia, é a relação que você constrói com a comunidade”, explicou.

Por fim, ele chamou a atenção para a dura realidade do financiamento do setor editorial independente. Sem rodeios, Ravache pontuou:

“Sem regulação e sem apoio público ao jornalismo independente, é uma ilusão achar que fica de pé”, lamentou.

Para anotar: os insights do painel Internet Pública vs LLMs Privadas

O debate entre PH, Ruth Reis e Guilherme Ravache foi muito rico em observações. Selecionamos algumas dicas para que os veículos se posicionem de forma estratégica nas buscas e ganhem autoridade perante os novos motores de busca gerativos:

  • Estruturação de dados: Organize seu acervo. Textos proprietários e bases de dados bem estruturadas são o ativo mais valioso para treinar ou negociar com as plataformas de IA.
  • Produção original acima da média: Utilize a IA para otimizar processos internos de gestão e pesquisa, mas mantenha a criatividade e a redação final nas mãos de humanos especializados para fugir do “conteúdo mediano”.
  • Engajamento comunitário: Foque em construir laços diretos com seus leitores. A lealdade à marca será o grande escudo protetor contra as flutuações dos algoritmos.

Quer rever o painel 1 do Aner Summit 2026?

Márcia Miranda
Administrator
Acredita que boas ideias precisam ser compartilhadas. Formada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal Fluminense (RJ), iniciou carreira em redação em 1988 e por 24 anos (até 2012) trabalhou em veículos como Jornal O Globo e Agência O Globo, Editora Abril, Jornal O Fluminense, Jornal Metro. Em 2012 iniciou o trabalho como relações públicas e assessora de comunicação, atuando para clientes em áreas variadas, como grandes eventos (TED-x Rio, Réveillon em Copacabana, Jornada Mundial da Juventude, Festival MIMO), showbiz, orquestras, entretenimento e assessorias institucionais como o Instituto Innovare. É empreendedora e, em dezembro de 2021, criou a Simbiose Conteúdo, uma empresa que presta serviços e consultoria em comunicação para associações como Aner, Abral e divisões internas da TV Globo.