O que o jornalismo pode aprender com a Ferrari na era da IA?

O que o jornalismo pode aprender com a Ferrari na era da IA?

7 de maio de 2026
Última atualização: 7 de maio de 2026
5min
Guilherme Ravache fala no Café com Aner sobre jornalismo e IA como aprender com grandes marcas como Ferrarri a deixar de se commodity
Márcia Miranda

Se você acha que a solução para a crise de audiência no mercado editorial é publicar mais rápido e em maior quantidade, pode parar tudo. No Café com Aner da terça-feira, 5 de maio, o consultor, colunista de mídia e analista de negócios Guilherme Ravache trouxe uma provocação instigante para publishers e jornalistas: na era da Inteligência Artificial (IA), a salvação do jornalismo não está no volume, mas na lógica de marcas de luxo como Ferrari, Hermès e Rolex.

Em um bate-papo mediado pela diretora executiva da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), Regina Bucco, Guilherme falou sobre como a IA está transformando as redações e por que a corrida pelo “furo” ou pelo clique fácil está com os dias contados.

Aliás, Guilherme Ravache será um dos convidados palestrantes do Aner Summit 2026, no dia 28 de maio, na ESPM! Continue lendo e saiba como se inscrever!

O Café com Aner é um encontro online semanal, realizado pela Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), focado em publishers, editores e profissionais de mídia. Com mais de 130 edições, o evento gratuito discute ferramentas de tecnologia, monetização, questões jurídicas e tendências do jornalismo, geralmente às terças-feiras, às 15h, conduzido por Regina Bucco.

Veja abaixo algumas dicas pra você aplicar na sua redação hoje mesmo!

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A notícia quente virou commodity (e a IA faz isso melhor)

Historicamente, o jornalismo foi treinado para priorizar o breaking news. No entanto, Guilherme alerta que o “factual” se tornou uma commodity. Hoje, os algoritmos e as ferramentas de Inteligência Artificial conseguem ler balanços de empresas ou o volume de tráfego de contêineres e gerar textos em segundos.

O insight é:

Tentar competir em velocidade e volume com o Google ou com a IA é uma batalha perdida. O Google já captura a atenção do leitor com resumos automatizados, esvaziando o modelo de negócios baseado exclusivamente em cliques e mídia programática.

A “Lógica da Ferrari”: Escassez, Autenticidade e Comunidade

Se o volume não é mais a resposta, para onde os publishers devem olhar? Guilherme sugere olharmos para o mercado de alto luxo. A Ferrari quase quebrou nos anos 80 por tentar focar em volume e reduzir sua qualidade. A solução foi adotar um mantra: “fazer menos carros e mais dinheiro”.

Voltando o foco para o nosso mercado de jornalismo, isso se traduz em:

  • Foco no “craft” (artesanato): Produzir um conteúdo único, com contexto e autoridade inquestionáveis, fugindo do modelo de “cópia” que empobreceu muitas redações.
  • Comunidade acima de audiência anônima: Marcas de luxo conhecem seus clientes. Da mesma forma, os veículos e jornalistas precisam criar senso de pertencimento, focando em nichos engajados em vez de milhões de cliques acidentais.
  • Valorização da marca do jornalista: Profissionais com assinatura forte e autenticidade (os chamados influenciadores ou jornalistas com forte presença digital) agregam um valor que a IA não consegue replicar.

Como usar a Inteligência Artificial do jeito certo nas redações

Mesmo criticando o uso da IA para redigir matérias finais, Guilherme Ravache é um grande defensor da tecnologia para otimizar o backoffice editorial. Entre os melhores usos das ferramentas de IA no jornalismo, ele sugere:

  • Apuração assistida: Cruzar grandes bancos de dados e analisar documentos extensos rapidamente.
  • Reaproveitamento multiformato: Transformar uma entrevista em áudio, texto, vídeo e posts para redes sociais.
  • Apoio visual e SEO: Criação de infográficos, organização de ideias, transcrições, traduções e descoberta de pautas com foco em otimização para buscadores.

“A gente já viu veículo grande publicando erros crassos usando automatização com IA, desde comando que fica no texto até você ter alucinação e publicar coisas que são inverídicas”, diz ele. “A oportunidade da IA tá no processo, mas não é escrever texto”, afirma, destacando que o jornalismo de valor traz um ponto de vista que “foge da curva” e algo diferente que não será encontrado na IA.

Regulação das Big Techs: Uma questão de sobrevivência

O especialista foi enfático ao dizer que as grandes plataformas (Google, Meta, OpenAI) utilizam o conteúdo jornalístico para treinar seus modelos de IA sem a devida compensação.

“Para mim, é roubo”, cravou, ressaltando a urgência de uma regulação mais rígida no Brasil e no mundo.

Ele lembra que empresas como Google e Meta são, na prática, empresas de mídia, mas operam sem as responsabilidades legais e éticas cobradas de um publisher tradicional. A injeção de recursos (subsídios ou fundos) advindos das Big Techs é vista como fundamental para a diversidade e sobrevivência do ecossistema, principalmente para o jornalismo regional.

Gostou desta conversa? Então prepare-se para o Summit Aner!

Se o avanço da Inteligência Artificial já parece desafiador, prepare-se: a próxima grande revolução é a computação quântica. Este será um dos temas aprofundados por Guilherme Ravache no Summit Aner, que acontece no dia 28 de maio.

Serviço:

Aner Summit 2026 – Oportunidades e Desafios da IA

Quando:Dia 28 de maio, a partir das 9h (boas vindas a partir das 8h)
Onde:Auditório ESPM Tech – Rua Joaquim Távora, 1240 – Vila Mariana, São Paulo – SP (Como chegar?)
Investimento:Gratuito, com certificado de participação

Para estudantes e profissionais, a Aner vai disponibilizar certificados de participação no Aner Summit 2026. Para receber, basta fazer a opção na hora de sua inscrição. Mas corra! As vagas são limitadas!

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Márcia Miranda
Administrator
Acredita que boas ideias precisam ser compartilhadas. Formada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal Fluminense (RJ), iniciou carreira em redação em 1988 e por 24 anos (até 2012) trabalhou em veículos como Jornal O Globo e Agência O Globo, Editora Abril, Jornal O Fluminense, Jornal Metro. Em 2012 iniciou o trabalho como relações públicas e assessora de comunicação, atuando para clientes em áreas variadas, como grandes eventos (TED-x Rio, Réveillon em Copacabana, Jornada Mundial da Juventude, Festival MIMO), showbiz, orquestras, entretenimento e assessorias institucionais como o Instituto Innovare. É empreendedora e, em dezembro de 2021, criou a Simbiose Conteúdo, uma empresa que presta serviços e consultoria em comunicação para associações como Aner, Abral e divisões internas da TV Globo.