Aner no Power of Print: impresso é pilar de credibilidade

Em um mundo saturado de conteúdos efêmeros, o jornalismo profissional e as publicações impressas retomam seu protagonismo, ancorando a confiança do leitor e o valor das marcas. No turbilhão da era digital, muito se previu sobre o fim do papel. No entanto, a 7ª edição do evento Power of Print 2026, que trouxe o tema “Construção da marca: A força da mídia impressa na estratégia 360”, provou exatamente o oposto: o impresso não apenas sobreviveu, como se consolidou como um ativo indispensável de confiança e permanência.
O evento, realizado pela Two Sides com o apoio da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), Abigraf, ESPM e Propmark, e patrocínio da Plural Indústria Gráfica e Sylvamo do Brasil foi um verdadeiro farol para publishers, jornalistas e donos de empresas de comunicação. Os grandes destaques da manhã ficaram por conta de duas vozes de peso da nossa associação: Regina Bucco, diretora executiva da Aner, e Lulu Skantze, criadora da Revista StoryTime e correspondente da Aner na Europa, no encontro mediado por Grace da Cunha (ESPM).
Ambas trouxeram perspectivas complementares e cruciais para quem atua no mercado editorial: enquanto o digital pulveriza a atenção, o impresso constrói a credibilidade — a moeda mais valiosa do nosso tempo.
O papel do papel: A revolução do impresso no mundo digital

Direto da Europa, Lulu Skantze abriu as reflexões com a palestra “Coexistir para Crescer: a transformação positiva do impresso no mundo digital”. Trazendo sua vasta experiência com a StoryTime, uma revista global de histórias infantis fundada na Inglaterra, Lulu desconstruiu o mito de que a tecnologia tornaria o papel obsoleto.
Para os publishers, o recado de Lulu foi claro: o impresso dita o ritmo e a qualidade da sua marca. Ela lembrou que, no auge do fascínio pelo digital, subestimou-se a queda de atenção do leitor e o excesso de distrações. Hoje, a fadiga de telas impulsiona um forte movimento de retorno ao papel, inclusive nos sistemas educacionais de países referência, como Suécia e Noruega, que perceberam quedas drásticas de aprendizado com a digitalização excessiva nas escolas.
“A gente não pergunta mais se o papel vai desaparecer. A gente pergunta como nós, publishers e criativos, podemos usar o papel estrategicamente junto com o digital para construir uma marca mais forte”, diz.

Lulu destacou que o meio impresso exige um planejamento rigoroso que naturalmente eleva a qualidade do produto final. Além disso, em tempos de fake news, a percepção de autoridade é palpável: 82% das pessoas confiam mais em algo que está impresso do que no que leem na internet.
“O papel gera qualidade. Num mundo onde o conteúdo é descartável, efêmero e que vive com pressa, a gente aprendeu que o papel cria permanência e significado.”
A disputa deixou de ser por atenção: agora é por confiança
Logo na sequência, Regina Bucco chegou — munida de suas anotações em papel — para abordar a “Credibilidade e construção de marca no ambiente editorial”. Com mais de 30 anos de experiência no mercado, a diretora executiva da Aner foi cirúrgica ao diagnosticar o atual cenário do consumo de informações, dominado por redes sociais e influenciadores digitais que muitas vezes carecem de qualquer rigor jornalístico.
Para os donos de veículos de comunicação, a fala de Regina foi um chamado ao posicionamento. Ela destacou que o leitor brasileiro consome muito conteúdo digital, mas confia muito pouco no que lê. É exatamente nessa lacuna que o jornalismo profissional e as marcas proprietárias brilham.
“A disputa deixou de ser por atenção, a disputa agora é por confiança. E a confiança não se constrói por volume, ela se constrói por consistência.”
Regina provocou a audiência a refletir sobre o custo da informação. Em uma internet onde qualquer um produz conteúdo rápido e barato, o mercado editorial se diferencia por oferecer método, checagem e contexto. E isso tem um preço que se traduz em valor de mercado e atração de anunciantes.
“A mentira é muito barata, a verdade e a credibilidade são caras. Elas exigem tempo, estrutura, profissionais e processo editorial.”
Em um dos momentos mais marcantes de sua apresentação, Regina resumiu a essência de uma estratégia 360 inteligente, mostrando que não existe mais espaço para rivalizar o físico com o online:
“O impresso ancora a confiança, o digital amplifica o alcance das coisas. Juntos, eles constroem valor… e a marca sustenta os dois.”
A executiva encerrou sua participação lembrando que o mercado editorial não pode aceitar ser coadjuvante na atual era da comunicação. “O mercado editorial é protagonista da qualidade da informação”.
Assista a participação da Aner no Power of Print na íntegra
Para você, publisher, jornalista ou gestor de comunicação que deseja se aprofundar nos insigths de Regina Bucco, Lulu Skantze, e conferir também as estratégias de licenciamento e experiência de marca apresentadas por Fernanda Abreu (Endemol), o conteúdo completo está disponível online.


